sábado, 30 de maio de 2015

O Dia em que Sonhei Demais

Sonho com descarregar  de tudo o que me pesa
Espera que o vento leva, a terra, esfera, a quebra
Queria apagar tudo, esquecer o absurdo, tornar mudo, o susto
Tornar vazio o copo e encher-me de esperança
Alimentar meu intelecto sem saturar minha sanidade 
Liberdade, vida em sociedade, espinho na carne
Intensas verdades não mais me cabem, mas ainda há lugar para o incompreensível
Invisível agonia me trouxeram essas novas idéias
Dialética, mais-vália,opressão, oprimidos, puro instinto.
O preço da revolução não cobre a solidão 
A militância interna não encontrou um partido, pois ainda estou perdido
Nas entranhas do que sou e do que devo ser ainda vago atrás de abrigo
Sigo acompanhado de mim, sem perder o vagão da dúvida 
Tão pesado eu sou que as vezes me nego a suportar
Me entregar a mais uma dor, sem ser de amor, efêmera cor
Vejo a flor, tão pura que chega a gritar, minha alma dispara, acorda e adormece por alguns segundos
Seguro o sentido da vida e em seguida ele se esvai como água
Vislumbro o horizonte como se fosse eterno, esperando alguma resposta com nexo
Não a vil descoberta da ciência pura, obscura, com censura 
Mas sim a cura, da fissura, extensa loucura
Sonho com a existência sem contradição
Acordo em um mundo de pura contemplação, sem ação, drama sem solução
Queria então não ser esse mar de ambivalência, com ondas que não deixam evidência
Mas sem isso o que sou? Normalidade, tédio, ociosidade
Prefiro então que a onda bata, com intensa insanidade, me tirando das velhas verdades que causam conformismo para com a realidade
Sonho então com mais outro dia de vida, com ou sem agonia
Pra fazer valer a gíria: deixa o mar rolar, afinal sempre aqui vou estar a pensar e problematizar.